Crônica: Todo Mundo Corre: do fôlego da infância ao cansaço do desempenho
Quando criança, tal como qualquer moleque, eu tinha a impaciência de andar, já que meu corpo era leve, meus pulmões pareciam inesgotáveis e as ruas me convidavam ao movimento. Quando saía à rua, era como se o corpo formigasse por dentro e dissesse: “corre!”. Daí, eu corria. Se eu fosse a algum lugar, eu ia correndo. Se eu fosse à escola, à padaria ou à igreja, saía à porta e me danava pelo mundo. Ia num pé e voltava noutro. Como Forrest Gump, eu corria; como Lola, eu incentivava a todos para que corressem: corram, pelo amor de Deus, corram! Se agilizem, se apressem! Sangue nas veias, sebo nas canelas. Fonte: RUN 4 FFWPU, em "pexels.com" Eu corria sem saber o quanto havia corrido, pois nenhum relógio registrava meus passos ou batimentos cardíacos, e nenhum aplicativo me parabenizava. Eu corria porque tinha pressa de chegar, ao passo que, contrariamente, também não tinha pressa nenhuma. Corria porque minhas pernas pediam, porque o vento no rosto era bom, e porque correr era u...