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O Jacaré dos Homens | Conto por Leonardo Hutamárty

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Fonte: imagem gerada por IA Era manhã de fins de 1999, um dia de sábado, e a Dona Maria Abigail havia saído de sua casa a caminho da feirinha da semana. A antiquada residia no município de Jacaré dos Homens. Cidade esta que, localizada na região sudoeste de Alagoas, limitava-se ao norte com o município de Olho D’Água das Flores, ao sul se atinha a Belo Monte e a Palestina, ao leste se encostava com Batalha, e ao oeste encarava a calda ataiada de Monteirópolis. Avistava-se à gorgomila-porta do município um cemitério, ao lado deste um boteco — mais repleto de passado do que futuro —, alguns idosos sentados em tamboretes à calçada, um vira-lata à sombra de um umbuzeiro, e um samango à praça sacudindo o cassetete. Todos os moradores da cidade se conheciam pelo nome. A feira livre de Jacaré dos Homens era realizada na praça central, um espaço dedicado ao comércio e ao lazer dos seus habitantes. A cidade não deixava de felicitar também os cidadãos que vinham de fora: das casas ostentavam uma...

Cinema Expandido: A Estética Psicodélica do Video Mapping em Galerias como Fuga do Isolamento Algorítmico das Telas Verticais

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Texto: Leonardo Hutamárty Nota metodológica: o presente trabalho constitui um ensaio teórico-argumentativo desenvolvido de forma autônoma como atividade de conclusão do Curso Livre Video Mapping: Vídeo Projeção, Palco e Artes , ofertado pelo Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, na modalidade de Educação a Distância (EaD), por intermédio da plataforma Escult , entre 22 de maio e 22 de junho de 2026 . Embora decorra das discussões desenvolvidas ao longo da formação, o texto possui caráter ensaístico e interpretativo, fundamentando-se em revisão bibliográfica e em articulações teóricas elaboradas pelo autor, que assume integral responsabilidade pelas análises e posições aqui defendidas. Figura 1: "ArtScience Museum"; Fonte: www.promoview.com.br A história do cinema é a história da constante mutação de seu aparato técnico e de sua linguagem. Para o crítico Mark Cousins, essa evolução nunca foi uma marcha li...

Crônica: Todo Mundo Corre: do fôlego da infância ao cansaço do desempenho

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Quando criança, tal como qualquer moleque, eu tinha a impaciência de andar, já que meu corpo era leve, meus pulmões pareciam inesgotáveis e as ruas me convidavam ao movimento. Quando saía à rua, era como se o corpo formigasse por dentro e dissesse: “corre!”. Daí, eu corria. Se eu fosse a algum lugar, eu ia correndo. Se eu fosse à escola, à padaria ou à igreja, saía à porta e me danava pelo mundo. Ia num pé e voltava noutro. Como Forrest Gump, eu corria; como Lola, eu incentivava a todos para que corressem: corram, pelo amor de Deus, corram! Se agilizem, se apressem! Sangue nas veias, sebo nas canelas. Fonte: RUN 4 FFWPU, em "pexels.com" Eu corria sem saber o quanto havia corrido, pois nenhum relógio registrava meus passos ou batimentos cardíacos, e nenhum aplicativo me parabenizava. Eu corria porque tinha pressa de chegar, ao passo que, contrariamente, também não tinha pressa nenhuma. Corria porque minhas pernas pediam, porque o vento no rosto era bom, e porque correr era u...